Friday, May 26, 2006

Samuel/Samo um pouco de como me sinto traduzido em versos...

APENAS QUERIA
Queria escrever sobre a dor, mas a dor me impediu!
Queria escrever sobre a solidão, mas a solidão, que me
angustia, não deixou!
Queria escrever sobre o fracasso, mas fracassei!
Queria escrever sobre a saudade e, ao invés disso, chorei!
Queria escrever sobre nós, mas descobri que não existe nós!
Queria escrever sobre você, mas não a conheço!
Queria escrever sobre mim, mas me perdi!
Queria escrever sobre a vida, mas percebi que estou quase
morto!
Queria escrever sobre a morte e tive medo!
Queria escrever sobre o medo, mas não tive coragem!
Queria escrever sobre o amor, mas me senti tão infeliz,
Que decidi não escrever mais nada...

Thursday, May 18, 2006

*Suspira* ¦3 Nyuh ?

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Há muito tempo atrás, quando o mundo era jovem e imprudente e a natureza ainda não tinha habilidade com as sua criações, quando no mundo apenas existiam grandes chuvas e uma fraca luz permeava parcamente um extenso manto de nuvens que cobria o céu, nessa era longínqua e esquecida habitavam a terra quatro seres superiores. Moravam juntos e em harmonia, cuidavam das enfermidades de seus campos e ajudavam o seu pequeno planeta a crescer cada vez mais forte. Plantavam as pequenas sementes que se tornariam árvores e espalhavam seus presentes por toda a terra. Eram conhecidos como Primavera, Verão, Outono e Inverno, na época em que suas belezas tinham manifestação material e eles habitavam o planeta, solitários em suas viagens.

Das quatro estações, as mais alegres e quentes eram Primavera e Verão, sempre belas e alegres, ambas vestidas e adornadas com belas flores de cores delirantes e um arco-íris coroando suas frontes; Primavera era adornada com flores de várias tonalidades que se prendiam aos seus longos cabelos cacheados. Verão era quente e sua presença harmoniosa instigava a terra a descansar e se fortalecer, tinha cabelos curtos que reluziam como um belo dia de sol, sua pele era delicada e refletia cuidadosamente várias tonalidades suaves. Ambas não gostavam da tristeza e da solidão, e por isso preferiam a companhia uma da outra à companhia silenciosa das árvores e de suas terras.

Outono dentre as quatro estações era a mais bela e harmoniosa, caminhava pelas terras usando apenas um longo vestido dourado, como as folhas que enfeitavam os caminhos em sua estação. Tinha olhos gentis onde a luz do sol adorava se refletir e lábios pequenos e delicados que cantavam as belezas para que suas adoradas árvores não se entristecessem ao perder suas queridas folhas. Outono tinha um longo cabelo ondulado que brilhava em tons dourados e era adornado por laços feitos de ramos das mais belas e grandes árvores que existiam. Outono era a mais bela de todas, e nenhuma das estações ousava negar.

Todas as estações apreciavam caminhar pelas terras onde viviam, e apesar de cada uma preferir um lugar a outro, nada as impedia de passear por toda a Terra. Por onde passavam, a natureza, que se fazia presente e bela em todos os lugares, as acolhia sempre com a amabilidade de uma mãe, e como presente as estações a agradavam com seus belos presentes: na Primavera as flores desabrochavam e os dias transcorriam calmos e quentes com uma beleza de muitas cores; no Verão a natureza renovava as forças e aproveitava os belos dias quentes, no Outono a Natureza era acalentada e se preparava para renovar sua existência majestosa.Dentre todas as estações, Inverno era o menos belo. Preferia viver isolado das outras, em seu coração morava a tristeza, e sua voz soava apenas para lamentos, o que incomodava as alegres e quentes Verão e Primavera. Inverno tinha expressivos olhos, castanhos como os grandes carvalhos, e frios como as noites gélidas com que presenteava Natureza. Usava um capuz cinzento que lhe cobria a fronte e que lhe escondia, intencionalmente, as feições. No entanto, seus cabelos saltavam do capuz, tempestuosos e em grandes cachos, revoltos como as tempestades que ele também dava de presente à Natureza. Seus lábios eram arroxeados e seu semblante era triste, Inverno nunca havia sentido o calor que tanto alegrava, em maior ou menor grau, a Natureza, suas terras e as outras estações. Primavera e Verão que eram graciosas e quentes, não gostavam da aura e do aspecto medonho que Inverno transmitia.

Depois de muitos ciclos vivendo sozinho, Inverno sentiu pela primeira vez, em uma tarde cinzenta, um calor gentil adentrar suas terras e acariciar seu rosto congelado. Aquela sensação o deixou intrigado e Inverno saiu vagando por seu extenso território a procura do toque cálido que havia deslizado por sua face. Após muito procurar, encontrou Outono espreitando-o de longe e admirando-o em segredo. Inverno aproximou-se de Outono e com sua voz grave e sibilante, como o ruído de uma cobra, questionou Outono sobre seus motivos. “Para que fim me observa, Outono?” Para seu espanto, Outono lhe disse que estivera observando-o e descobriu sua beleza. Disse também que sabia apreciar a bondade que Inverno escondia por baixo de sua aparência cinzenta. De presente, Outono lhe deixou um anel, em que haviam oito estrelas incrustadas que brilhavam como os seus maravilhosos olhos.

A partir daquele dia, Outono sempre vinha visitar Inverno e tinha com ele longas conversas. O tempo se passou e as terras de Inverno começaram a ficar cada vez mais amenas e cada vez mais Inverno apaixonava-se por Outono e suas gentilezas. Na mesma medida, Outono devotava carinho e admiração por Inverno, pois também se apaixonara. Outono era a única que conseguia compreender e vislumbrar a beleza que habita a estranha aparência de Inverno, e este estava satisfeito por ser amado e por amar e, aos poucos, começava a se habituar a sentir um pequeno calor permeando seu interior.

Uma noite, ambos sentaram-se sob um grande carvalho. Observavam as estrelas e cantavam à Lua. Inverno não usava mais sua capa escura e seu rosto era, agora, luminoso como o reflexo cristalino dos lagos congelados de suas terras. Outono o observava e sorria, admirava-o e o queria ter consigo para sempre. Inverno então pela primeira vez deixou que palavras amorosas e gentis preenchessem sua boca e deslizassem por seus lábios. Envaidecidos e apaixonados Inverno e Outono beijaram-se, o céu acima deles brilhou em diferentes cores, e desse rápido beijo floresceu a aurora. As terras de Outono e Inverno prosperaram juntas, com a candura de seus sentimentos, e os dias se tornaram belos e agradáveis, a harmonia prevalecia. Nas terras de Inverno, os dias já não eram tão frios e nem tão quentes, havia momentos oportunos para as tempestades e para a queda das folhas, para os dias amenos e para as noites ermas.
Enquanto conheciam-se mais profundamente, Outono percebeu que Inverno, não por sua escolha, era desajeitado com as palavras e aparentava ser rude e insensível. Em alguns momentos, Outono chorava em silêncio e não demonstrava sua tristeza e seus temores para Inverno, que em sua essência nunca deixaria de ser denso e misterioso.

Os ciclos se passavam.

Primavera e Verão ficavam felizes em ver o quanto Inverno ficava límpido e belo, não como elas próprias, pois Inverno nunca deixaria de ser frio, mas sua aura de mistério e suas gentilezas não polidas encantavam agora a elas todas, fazendo Outono orgulhar-se de ter o amor e a amizade de Inverno. Inverno sentia-se profundamente ligado a Outono e a amava acima de todas as coisas que já havia conhecido e tinha consciência de que sua beleza era um reflexo do amor de Outono refletido nos cristais que adornavam sua face.

Mais vários períodos se passaram e Outono percebia que apesar de tudo, Inverno nunca deixaria de ser frio em seu interior, e por Inverno chorou. E com sua bela voz, Outono lamentou “Ele nunca terá a sensibilidade para demonstrar seus sentimentos.” Outono, então, falou a Inverno que voltaria para suas terras, onde havia harmonia e os dias de frio não eram tão longos, mas avisou-o que voltaria para visitar-lhe como uma amiga, amiga que nunca deixaria de ser.
Inverno, pela primeira vez em sua existência, chorou. E naquele momento, desprenderam-se das nuvens cinzentas as lágrimas congeladas de Inverno, e suas terras ficaram envoltas em névoas e nevascas terríveis e melancólicas. Inverno regrediu à sua antiga forma, e agora se cobria com um manto mais escuro que o de outrora, sentava-se em sua casa chorando e lamentando por não ter o calor de Outono para aquecer o coração. As terras de Inverno eram agora isoladas e revoltas, e seu trono de carvalho pereceu sob o espesso manto de neve que cobriu suas terras.

Pouco tempo se passou até que Outono, sentindo a falta de Inverno, fosse visitá-lo. Outono percebera que ainda amava Inverno, que mesmo com todos os seus defeitos e sua falta de jeito ao agir, tinha as intenções e ações mais belas e mais gentis dentre todas as estações. Inverno não tinha habilidade com suas palavras, mas seus gestos, mesmo que escondidos atrás de uma aparente estupidez, eram carinhosos e quentes.
Quando chegou ao grande salão de Inverno, Outono apenas encontrou seu belo anel cintilando sobre seu trono de gelo. Inverno não suportou a leveza de sua existência e partiu: deixou sua forma vagante e transcendeu a existência visível, brilhava agora no alto do céu noturno em várias e belas cores. E Outono quando vislumbrou as cores, soube que Inverno nunca mais voltaria, pois agora fazia parte das coisas belas com que sempre sonhou. Então, após muitas lágrimas derramar, beijou o céu com delicadeza e o abençoou. Suas lágrimas misturaram-se com a essência de Inverno e as cores tremeluziam nas belas noites em que os sentimentos eram exagerados. Outono fanou por amor e Inverno simplesmente deixou de existir. A terra então se congelou de pesar e de tristeza de ver tão bela história terminar em melancolia. A Natureza nunca deixou de se lembrar, nos momentos certos, dos dois belos amantes: Inverno e Outono que não mais existem como antes, mas podemos senti-los quando for o momento certo. A natureza há de nos mostrar.

Monday, May 15, 2006

Bem, ninguém é de ferro...
E eu vivo uma vida dupla, além disso...
Meu lado kawaii está lá no Kawaii no Kotoba, tá bom?? Aqui é simplesmente minha personalidade inquieta e sangue quente falando...
Bom, aqui tem um pequeno artigo incitado por uma aula de Constitucional...
Espero que esteja decente....

Ações afirmativas pela igualdade material inter-racial

Olhando sob o ponto de vista histórico, vivemos em um país marcado por um regime escravocrata de longa duração, no qual os povos escravizados, em sua quase que absoluta maioria, negros oriundos da África, sofreram os mais diversos tipos de preconceito. Assim vendo, não é de se admirar a presente situação social que se observa - um sectarismo social marcado pela esmagadora maioria de afro-descendentes pobres, havendo pouquíssimos representantes destes nas classes mais abastadas. O que cabe refletir aqui é, primariamente, como se originou esta situação.
Os negros no Brasil sempre tiveram o grande problema de serem subjugados pela população branca, devido ao já mencionado regime escravocrata. Após a promulgação da Lei Áurea, os negros foram colocados em uma imensa desvantagem para com os brancos: Estes, já firmados como "Os senhores da sociedade", já estavam socialmente fixados havia décadas, enquanto seus ex-escravos foram colocados na situação de competir em pé de igualdade com eles após sua alforria, porém não haviam sido dadas condições a estes para estar em condições para esta competição. Além disso, sempre houve um grande preconceito contra eles por serem ex-escravos. E esta situação, mesmo após muitas décadas, persiste. Ainda hoje, o negro é visto com inferioridade, com um certo desdém, pelo resto da sociedade, como se fossem "menos humanos" que o resto da população. Obviamente, isso reflete na possibilidade de ascensão social deles. O principal reflexo que se vê dessa situação é a necessidade do governo criar ações afirmativas para diminuir esse poço inter racial, principalmente a lei de cotas para afro descendentes.
Agora, seria realmente a lei de cotas a forma mais adequada de reverter essa situação? Não existem outras ações, menos polêmicas e mais eficazes para se mudar isso?
A sociedade contemporânea é, por via de regra, imediatista ao extremo. Ou seja, enquanto países que foram sensatos ao ponto de investir em educação básica 40, 50 anos atrás, hoje observam maravilhosos reflexos na sociedade. E não me refiro à educação apenas no sentido científico da palavra, referindo-me à formação intelectual da pessoa, mas também, e isso seria o mais importante, reformar a própria sociedade para uma idéia de indiferença (não no sentido pejorativo que a palavra costuma ter, e sim no sentido de não diferenciação) entre as pessoas, como forma de minar a base de uma sociedade extremamente racista e segregacionista. Tal tipo de atitude não só reduziria o preconceito racial, mas também criaria uma mentalidade de que, independente da cor, raça, religião, orientação e gênero sexual, não há diferenças entre os indivíduos. Aliás, o correto seria dizer que sim, há diferenças entre os indivíduos, mas nada que os torne melhores ou piores entre si. Estudos comprovam que homens possuem um melhor raciocínio lógico, mas perdem para as mulheres quando se trata de raciocínio abstrato. Sim, tem diferenças. Alguém é melhor? Não, apenas hemisférios cerebrais diferentes que se desenvolvem melhor. Cada indivíduo tem algo em que se sobressai, e é este tipo de diferença que torna a sociedade tão dependente dela mesma para se sustentar, remetendo a um poema que diz que "nenhum homem é uma ilha em si mesmo", ou seja, nenhum homem consegue viver sozinho sem que precise de outros para sobreviver, é uma utopia gritantemente ufânica.
Voltando às cotas, vamos observar um raciocínio lógico, provavelmente o mesmo usado pelos autores do projeto que criou a lei de cotas.
Negro - pobre - estudo de baixa qualidade - menores chances no vestibular - cotas.
Agora, vamos analisar este raciocínio. Negros são associados à pobreza.
Sim, infelizmente, é correto afirmar isso, já que a esmagadora maioria da população pobre, é negra. Por serem pobres, não tem condições de colocarem seus filhos em escolas de qualidade, tendo que deixá-los estudando no ensino público, que é, em sua absoluta totalidade, sucatado e de baixa qualidade, sendo mais visto como um fardo para o governo do que como uma instituição imprescindível para a devida formação do país. Sim, infelizmente, esta terceira parte do raciocínio se faz verdadeira. A conseqüência disso é sim a reduzida chance de aprovação em um vestibular. Agora, o problema está em como resolver este problema. Foi escolhida a solução menos profícua para resolver o problema.
Digo, primeiramente, a condição social dos alunos negros é, em sua grande maioria, o principal problema, pois eles tem que ajudar a sustentar suas famílias, quando não as sustentam por completo. Logo, é um ledo engano "facilitar" a entrada deles em uma universidade. Um curso universitário é algo que exige uma grande dedicação, logo uma pessoa, qualquer que seja, que não tenha uma situação financeira minimamente estável tem grandes dificuldades de completar um curso universitário. Ou seja, visto que, mesmo com o "incentivo" das cotas, se não houver uma estrutura que ajude esta população menos favorecida a ter uma vida digna, então não há porque haver a estrutura de cotas, vendo que o número de alunos cotistas que efetivamente terminarão o curso escolhido será mínimo.
Ou seja, retorna-se à estaca zero: Se o governo, ao invés de ações afirmativas criasse políticas educacionais sensatas, e ao invés de incentivar ingresso "forçado" em universidades criasse políticas sociais de longo prazo, a necessidade de ações afirmativas seria anulada, e criar-se-ia uma sociedade na qual há respeito mútuo pelas diferenças inerentes ao ser humano e a aprovação em um concurso vestibular ocorreria em igualdade para qualquer aluno, seja qual for a origem, classe social e cor dele, sem que houvessem outros critérios além do desempenho na prova.

Não, eu não sou reacionário, esquerdista puritano ou whatever...
Apenas observo uma situação e expresso minha singela e insignificante opinião.