Monday, May 15, 2006

Bem, ninguém é de ferro...
E eu vivo uma vida dupla, além disso...
Meu lado kawaii está lá no Kawaii no Kotoba, tá bom?? Aqui é simplesmente minha personalidade inquieta e sangue quente falando...
Bom, aqui tem um pequeno artigo incitado por uma aula de Constitucional...
Espero que esteja decente....

Ações afirmativas pela igualdade material inter-racial

Olhando sob o ponto de vista histórico, vivemos em um país marcado por um regime escravocrata de longa duração, no qual os povos escravizados, em sua quase que absoluta maioria, negros oriundos da África, sofreram os mais diversos tipos de preconceito. Assim vendo, não é de se admirar a presente situação social que se observa - um sectarismo social marcado pela esmagadora maioria de afro-descendentes pobres, havendo pouquíssimos representantes destes nas classes mais abastadas. O que cabe refletir aqui é, primariamente, como se originou esta situação.
Os negros no Brasil sempre tiveram o grande problema de serem subjugados pela população branca, devido ao já mencionado regime escravocrata. Após a promulgação da Lei Áurea, os negros foram colocados em uma imensa desvantagem para com os brancos: Estes, já firmados como "Os senhores da sociedade", já estavam socialmente fixados havia décadas, enquanto seus ex-escravos foram colocados na situação de competir em pé de igualdade com eles após sua alforria, porém não haviam sido dadas condições a estes para estar em condições para esta competição. Além disso, sempre houve um grande preconceito contra eles por serem ex-escravos. E esta situação, mesmo após muitas décadas, persiste. Ainda hoje, o negro é visto com inferioridade, com um certo desdém, pelo resto da sociedade, como se fossem "menos humanos" que o resto da população. Obviamente, isso reflete na possibilidade de ascensão social deles. O principal reflexo que se vê dessa situação é a necessidade do governo criar ações afirmativas para diminuir esse poço inter racial, principalmente a lei de cotas para afro descendentes.
Agora, seria realmente a lei de cotas a forma mais adequada de reverter essa situação? Não existem outras ações, menos polêmicas e mais eficazes para se mudar isso?
A sociedade contemporânea é, por via de regra, imediatista ao extremo. Ou seja, enquanto países que foram sensatos ao ponto de investir em educação básica 40, 50 anos atrás, hoje observam maravilhosos reflexos na sociedade. E não me refiro à educação apenas no sentido científico da palavra, referindo-me à formação intelectual da pessoa, mas também, e isso seria o mais importante, reformar a própria sociedade para uma idéia de indiferença (não no sentido pejorativo que a palavra costuma ter, e sim no sentido de não diferenciação) entre as pessoas, como forma de minar a base de uma sociedade extremamente racista e segregacionista. Tal tipo de atitude não só reduziria o preconceito racial, mas também criaria uma mentalidade de que, independente da cor, raça, religião, orientação e gênero sexual, não há diferenças entre os indivíduos. Aliás, o correto seria dizer que sim, há diferenças entre os indivíduos, mas nada que os torne melhores ou piores entre si. Estudos comprovam que homens possuem um melhor raciocínio lógico, mas perdem para as mulheres quando se trata de raciocínio abstrato. Sim, tem diferenças. Alguém é melhor? Não, apenas hemisférios cerebrais diferentes que se desenvolvem melhor. Cada indivíduo tem algo em que se sobressai, e é este tipo de diferença que torna a sociedade tão dependente dela mesma para se sustentar, remetendo a um poema que diz que "nenhum homem é uma ilha em si mesmo", ou seja, nenhum homem consegue viver sozinho sem que precise de outros para sobreviver, é uma utopia gritantemente ufânica.
Voltando às cotas, vamos observar um raciocínio lógico, provavelmente o mesmo usado pelos autores do projeto que criou a lei de cotas.
Negro - pobre - estudo de baixa qualidade - menores chances no vestibular - cotas.
Agora, vamos analisar este raciocínio. Negros são associados à pobreza.
Sim, infelizmente, é correto afirmar isso, já que a esmagadora maioria da população pobre, é negra. Por serem pobres, não tem condições de colocarem seus filhos em escolas de qualidade, tendo que deixá-los estudando no ensino público, que é, em sua absoluta totalidade, sucatado e de baixa qualidade, sendo mais visto como um fardo para o governo do que como uma instituição imprescindível para a devida formação do país. Sim, infelizmente, esta terceira parte do raciocínio se faz verdadeira. A conseqüência disso é sim a reduzida chance de aprovação em um vestibular. Agora, o problema está em como resolver este problema. Foi escolhida a solução menos profícua para resolver o problema.
Digo, primeiramente, a condição social dos alunos negros é, em sua grande maioria, o principal problema, pois eles tem que ajudar a sustentar suas famílias, quando não as sustentam por completo. Logo, é um ledo engano "facilitar" a entrada deles em uma universidade. Um curso universitário é algo que exige uma grande dedicação, logo uma pessoa, qualquer que seja, que não tenha uma situação financeira minimamente estável tem grandes dificuldades de completar um curso universitário. Ou seja, visto que, mesmo com o "incentivo" das cotas, se não houver uma estrutura que ajude esta população menos favorecida a ter uma vida digna, então não há porque haver a estrutura de cotas, vendo que o número de alunos cotistas que efetivamente terminarão o curso escolhido será mínimo.
Ou seja, retorna-se à estaca zero: Se o governo, ao invés de ações afirmativas criasse políticas educacionais sensatas, e ao invés de incentivar ingresso "forçado" em universidades criasse políticas sociais de longo prazo, a necessidade de ações afirmativas seria anulada, e criar-se-ia uma sociedade na qual há respeito mútuo pelas diferenças inerentes ao ser humano e a aprovação em um concurso vestibular ocorreria em igualdade para qualquer aluno, seja qual for a origem, classe social e cor dele, sem que houvessem outros critérios além do desempenho na prova.

Não, eu não sou reacionário, esquerdista puritano ou whatever...
Apenas observo uma situação e expresso minha singela e insignificante opinião.

2 comments:

Anonymous said...

È...seu ponto de vista esta totalmente certo,os negros são até hj "escravisados" e muitos ñ se dão conta disso ou se fazem q não tem nd ve ¬¬´
E concerteza nas faculdades devira haver vagas divididas igualmente entre brancos e negros afinal td não são iguais????

Anonymous said...

As cotas na verdade são o reflexo de uma carência de investimento no plano de ensino do país. Penso que, dada a gritante diferença no nível de ensino das escolas públicas e privadas, seria cruel e hipocrisia não admiti-las,no fim das contas as cotas são apenas uma forma de equalizar as diferenças e 'tapar com a peneira' as deficiências de um Estado ausente e incompetente.
E tenho dito !