*Suspira* ¦3 Nyuh ?
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Há muito tempo atrás, quando o mundo era jovem e imprudente e a natureza ainda não tinha habilidade com as sua criações, quando no mundo apenas existiam grandes chuvas e uma fraca luz permeava parcamente um extenso manto de nuvens que cobria o céu, nessa era longínqua e esquecida habitavam a terra quatro seres superiores. Moravam juntos e em harmonia, cuidavam das enfermidades de seus campos e ajudavam o seu pequeno planeta a crescer cada vez mais forte. Plantavam as pequenas sementes que se tornariam árvores e espalhavam seus presentes por toda a terra. Eram conhecidos como Primavera, Verão, Outono e Inverno, na época em que suas belezas tinham manifestação material e eles habitavam o planeta, solitários em suas viagens.
Das quatro estações, as mais alegres e quentes eram Primavera e Verão, sempre belas e alegres, ambas vestidas e adornadas com belas flores de cores delirantes e um arco-íris coroando suas frontes; Primavera era adornada com flores de várias tonalidades que se prendiam aos seus longos cabelos cacheados. Verão era quente e sua presença harmoniosa instigava a terra a descansar e se fortalecer, tinha cabelos curtos que reluziam como um belo dia de sol, sua pele era delicada e refletia cuidadosamente várias tonalidades suaves. Ambas não gostavam da tristeza e da solidão, e por isso preferiam a companhia uma da outra à companhia silenciosa das árvores e de suas terras.
Outono dentre as quatro estações era a mais bela e harmoniosa, caminhava pelas terras usando apenas um longo vestido dourado, como as folhas que enfeitavam os caminhos em sua estação. Tinha olhos gentis onde a luz do sol adorava se refletir e lábios pequenos e delicados que cantavam as belezas para que suas adoradas árvores não se entristecessem ao perder suas queridas folhas. Outono tinha um longo cabelo ondulado que brilhava em tons dourados e era adornado por laços feitos de ramos das mais belas e grandes árvores que existiam. Outono era a mais bela de todas, e nenhuma das estações ousava negar.
Todas as estações apreciavam caminhar pelas terras onde viviam, e apesar de cada uma preferir um lugar a outro, nada as impedia de passear por toda a Terra. Por onde passavam, a natureza, que se fazia presente e bela em todos os lugares, as acolhia sempre com a amabilidade de uma mãe, e como presente as estações a agradavam com seus belos presentes: na Primavera as flores desabrochavam e os dias transcorriam calmos e quentes com uma beleza de muitas cores; no Verão a natureza renovava as forças e aproveitava os belos dias quentes, no Outono a Natureza era acalentada e se preparava para renovar sua existência majestosa.Dentre todas as estações, Inverno era o menos belo. Preferia viver isolado das outras, em seu coração morava a tristeza, e sua voz soava apenas para lamentos, o que incomodava as alegres e quentes Verão e Primavera. Inverno tinha expressivos olhos, castanhos como os grandes carvalhos, e frios como as noites gélidas com que presenteava Natureza. Usava um capuz cinzento que lhe cobria a fronte e que lhe escondia, intencionalmente, as feições. No entanto, seus cabelos saltavam do capuz, tempestuosos e em grandes cachos, revoltos como as tempestades que ele também dava de presente à Natureza. Seus lábios eram arroxeados e seu semblante era triste, Inverno nunca havia sentido o calor que tanto alegrava, em maior ou menor grau, a Natureza, suas terras e as outras estações. Primavera e Verão que eram graciosas e quentes, não gostavam da aura e do aspecto medonho que Inverno transmitia.
Depois de muitos ciclos vivendo sozinho, Inverno sentiu pela primeira vez, em uma tarde cinzenta, um calor gentil adentrar suas terras e acariciar seu rosto congelado. Aquela sensação o deixou intrigado e Inverno saiu vagando por seu extenso território a procura do toque cálido que havia deslizado por sua face. Após muito procurar, encontrou Outono espreitando-o de longe e admirando-o em segredo. Inverno aproximou-se de Outono e com sua voz grave e sibilante, como o ruído de uma cobra, questionou Outono sobre seus motivos. “Para que fim me observa, Outono?” Para seu espanto, Outono lhe disse que estivera observando-o e descobriu sua beleza. Disse também que sabia apreciar a bondade que Inverno escondia por baixo de sua aparência cinzenta. De presente, Outono lhe deixou um anel, em que haviam oito estrelas incrustadas que brilhavam como os seus maravilhosos olhos.
A partir daquele dia, Outono sempre vinha visitar Inverno e tinha com ele longas conversas. O tempo se passou e as terras de Inverno começaram a ficar cada vez mais amenas e cada vez mais Inverno apaixonava-se por Outono e suas gentilezas. Na mesma medida, Outono devotava carinho e admiração por Inverno, pois também se apaixonara. Outono era a única que conseguia compreender e vislumbrar a beleza que habita a estranha aparência de Inverno, e este estava satisfeito por ser amado e por amar e, aos poucos, começava a se habituar a sentir um pequeno calor permeando seu interior.
Uma noite, ambos sentaram-se sob um grande carvalho. Observavam as estrelas e cantavam à Lua. Inverno não usava mais sua capa escura e seu rosto era, agora, luminoso como o reflexo cristalino dos lagos congelados de suas terras. Outono o observava e sorria, admirava-o e o queria ter consigo para sempre. Inverno então pela primeira vez deixou que palavras amorosas e gentis preenchessem sua boca e deslizassem por seus lábios. Envaidecidos e apaixonados Inverno e Outono beijaram-se, o céu acima deles brilhou em diferentes cores, e desse rápido beijo floresceu a aurora. As terras de Outono e Inverno prosperaram juntas, com a candura de seus sentimentos, e os dias se tornaram belos e agradáveis, a harmonia prevalecia. Nas terras de Inverno, os dias já não eram tão frios e nem tão quentes, havia momentos oportunos para as tempestades e para a queda das folhas, para os dias amenos e para as noites ermas.
Enquanto conheciam-se mais profundamente, Outono percebeu que Inverno, não por sua escolha, era desajeitado com as palavras e aparentava ser rude e insensível. Em alguns momentos, Outono chorava em silêncio e não demonstrava sua tristeza e seus temores para Inverno, que em sua essência nunca deixaria de ser denso e misterioso.
Os ciclos se passavam.
Primavera e Verão ficavam felizes em ver o quanto Inverno ficava límpido e belo, não como elas próprias, pois Inverno nunca deixaria de ser frio, mas sua aura de mistério e suas gentilezas não polidas encantavam agora a elas todas, fazendo Outono orgulhar-se de ter o amor e a amizade de Inverno. Inverno sentia-se profundamente ligado a Outono e a amava acima de todas as coisas que já havia conhecido e tinha consciência de que sua beleza era um reflexo do amor de Outono refletido nos cristais que adornavam sua face.
Mais vários períodos se passaram e Outono percebia que apesar de tudo, Inverno nunca deixaria de ser frio em seu interior, e por Inverno chorou. E com sua bela voz, Outono lamentou “Ele nunca terá a sensibilidade para demonstrar seus sentimentos.” Outono, então, falou a Inverno que voltaria para suas terras, onde havia harmonia e os dias de frio não eram tão longos, mas avisou-o que voltaria para visitar-lhe como uma amiga, amiga que nunca deixaria de ser.
Inverno, pela primeira vez em sua existência, chorou. E naquele momento, desprenderam-se das nuvens cinzentas as lágrimas congeladas de Inverno, e suas terras ficaram envoltas em névoas e nevascas terríveis e melancólicas. Inverno regrediu à sua antiga forma, e agora se cobria com um manto mais escuro que o de outrora, sentava-se em sua casa chorando e lamentando por não ter o calor de Outono para aquecer o coração. As terras de Inverno eram agora isoladas e revoltas, e seu trono de carvalho pereceu sob o espesso manto de neve que cobriu suas terras.
Pouco tempo se passou até que Outono, sentindo a falta de Inverno, fosse visitá-lo. Outono percebera que ainda amava Inverno, que mesmo com todos os seus defeitos e sua falta de jeito ao agir, tinha as intenções e ações mais belas e mais gentis dentre todas as estações. Inverno não tinha habilidade com suas palavras, mas seus gestos, mesmo que escondidos atrás de uma aparente estupidez, eram carinhosos e quentes.
Quando chegou ao grande salão de Inverno, Outono apenas encontrou seu belo anel cintilando sobre seu trono de gelo. Inverno não suportou a leveza de sua existência e partiu: deixou sua forma vagante e transcendeu a existência visível, brilhava agora no alto do céu noturno em várias e belas cores. E Outono quando vislumbrou as cores, soube que Inverno nunca mais voltaria, pois agora fazia parte das coisas belas com que sempre sonhou. Então, após muitas lágrimas derramar, beijou o céu com delicadeza e o abençoou. Suas lágrimas misturaram-se com a essência de Inverno e as cores tremeluziam nas belas noites em que os sentimentos eram exagerados. Outono fanou por amor e Inverno simplesmente deixou de existir. A terra então se congelou de pesar e de tristeza de ver tão bela história terminar em melancolia. A Natureza nunca deixou de se lembrar, nos momentos certos, dos dois belos amantes: Inverno e Outono que não mais existem como antes, mas podemos senti-los quando for o momento certo. A natureza há de nos mostrar.
Thursday, May 18, 2006
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19 comments:
"O mais belo conto de inverno."
Afinal, foi o próprio quem o escreveu, em confissões de sentimentos ambíguos.
Três vivas para o Inverno, mon chéri, pois mesmo que tente esconder, fica indubitavelmente claro seu dom com as palavras.
*lambendo um cristal de gelo* XD
Samo...
Cara q foda esse conto....
Meu eu sou o inverno....
gostei muito ^___^
Não samo, eu sou o Inverno.
Se quiser, escreva seu próprio conto....
Nem preciso dizer q estah simplesmente sublime, q vc conseguiu mexer com alguma coisa aqui dentro. Lindo lindo!!
Bjs!!!!
Adorei! *-*
Belas palavras,fiquei triste pelos amantes,mas enfim \o\ é assim mesmo
Vc escreve muito bem! sabe usar as palavras certas ^^
Lindo lindo e lindo!
Eu adoro o inverno mesmo XD
Esse conto serviu como um consolo.
Como uma auto-ajuda. Uma realidade. ;-;
EXATAMENTE o que se passou nesses últimos dias.
Como 1+1=2.
EXATAMENTE.
;-;
oIiIi
meoooo... lindo demaiss..
mtooo "purO"
lindo lindo lindoo...
e esseeo consegui entender td!! hehe
e toh ake pra ler td d bomq escreveeee
BjAuMmMm
Nossa, Tamaaa!! Há grande magnificência em seu conto!! Realmente encantador. Pena que seja tão melancólico. Carinha, estou quase chorando (e o Will me passou uns vídeos de Kiminozo... Buáááá...) Se bem que eu não desgosto de histórias tristes, apenas não gosto muito do que sinto enquanto (ou após) as vejo. Creio que o sentimento sobre o qual menciono é tristeza. E não gosto disso, o que, de certa forma, deve ser óbvio. Bem, continue escrevendo belos contos. Eu adoro tudo o que você escreve: histórias como essa, textos como os do “Commedia dell'Arte” (acho que é assim que se escreve), bobagens e besteiras quaisquer, as quais são muito engraçadas. Nossa! Quantos blogs, flogs, etc. Desse jeito uma de minhas ocupações será comentar neles... Acho que devo diminuir o tamanho dos comentários. Contudo, quando começo a redigir, divirto-me com isso e acabo escrevendo além da conta (seja lá quando deu essa conta...). Creio que, por hoje, é só. Espero que você tenha um imenso mundo feito de bons sonhos e coisas kawaii! E que obtenha a “eternidade que você deseja”! Até mais!
P.S.: “a vida só é interessante quando você tenta o mais duro que pode em tudo que você faz.”
vc tem talento com as palavras... ^^ amo ler as coisas que vc escreve!
lindo conto, tama, lindo mesmo!
beijos. :*
^^
Perfeito, mas dessa vez não como sempre ^^ este é diferente, gostei muito dele.
Você consegui escrever com palavras simples ^-^ desculpe por ser chata e ter te pedido isso xD mas é que as vezes é bom quando a gente lê algo sem isso estar oculto por belas palavras \o\
Nya .-. o final é mui triste... mas se o inverno era tão frio, ele não deveria ter ficado junto com outono .-. já que outono não é quente e é uma estação triste tb.
nya xD *falando besteira*
Enfim ^-^ mto bonito o conto \o\ parabéns moço ^^
Nya sim ^^ se vc puder leia ele escutando "Tragedies", é de Loveless o-o se quiser eu te passo o/
Bai ^^/
Como prometido.... aqui estou.....
Affff. ALU!!!! q eh isso????
Eh lindo d+!!! parabens a vc e a aqueles q criaram este espaço.... realmente lindo....triste.... mas lindo...
Ha tempos q nao crio nada consideravel.... espero q agora..com mais tempo(*desempregada*) eu consiga voltar a fazer algo..... obrigada por me mostrar este espaço....
Bjs Hybrid...(*The Fallen Angel*)
Crueldade maior seria impedir Inverno de amar intensamente como amou ! e se no final Inverno desapareceu não foi por Outono ser uma estação triste, mas sim por Outono ser uma estação insegura.
Outono percebeu que amava Inverno como ele realmente era...
Mas Inverno não aguentou viver sem amor... crueldade é tirar dos limites de Inverno a possibilidade de ser feliz e ter a chance de se aquecer.
Crueldade seria permitir que Inverno ficasse com Outono ^^ já que inverno precisa de estações mais quentes e alegres que um simples Outono. Estações mais seguras de si, e principalmente estações que podem dar ao Inverno o que ele realmente precisa ^-^
Desculpe comentar again xD *some*
O calor pelo qual Inverno se apaixonou foi o de Outono não o de outra estação... Inverno sabe bem do que precisava... e quando se apaixonou sabia o que gostaria de ter para si pelo resto de sua existência ! e isso que ele desejava não era Verão e nem Primavera, foi sempre Outono.
Tra la la lá! *acorrentado e ameaçado de morte* Comentando, neh?
Eu sempre gosto dos textos do Tama i.i~ E este texto então... só confirma q ele tem O talento pra escrever... E este texto estah mto lindooo T___T *chora emosamente*
Qro um livro autografado U_U com todos seus textos... ò.O de aniversário XDDD Ok?
*weee /o/*
E o Inverno nos mostra o fim que teve seu coração...
Muito emocionado eu fiquei ao ler a história do Inverno...
E espero que todos entendam o que sentiu o Inverno... o quanto é dolorosa a separação... Entendam, sim, mas não desejo essa dor para mais ninguém, pois é uma dor insuportável... Um dos contos mais lindos já escritos por nosso querido Tama \o/
Nem todo mundo entende que amor é pra se amar...
que sofrer é reflexo da ilusão... !
que minhoca na cabeça qualquer um tem, inclusive eu e você, mas acho que eu tenho mais....
tem gente que também sofre calado e finge não amar, quando na verdade só quer xingar, esbofetear e dar um abraço ! não reprimam seus sentimentos... sofram e sejam felizes pq no erro é que está a graça da vida e na tentativa é que encontramos a felicidade...
e quando se ama, ama.
Tenho dito, para quem quiser um conselho meia boca. ^^
Isso mesmo tama... concordo com vc e axo q posso intende-lo mesmo q nao seja 100% afinal cada 1 é um né ^__^
o.o humm.. sera q inda tem espaço pra mais um comentario?
Axo q tem quem ame em silencio apenas pq assim eh a forma mais pura de se amar; fazer o outro conhecer, sempre eh como corromper por que deixa aquela preciosidade ao julgamento do que o outro axa.
amar, declarar-se e ser julgado por isso eh dificil pq há quem ri de sentimentos confessos ou deles desdenha.. (o.ô coisa q sinceramente nao entendo porquê)
acredito q outono se foi por priorizar o q sentia sem esperar pelo inverno: "ele nunca terá a sensibilidade para demonstrar seus sentimentos" e entao partiu.
i.i'' se bem q geralment a rudeza esconde sentimentos finos.
o.o' ou nao
de qualquer modo i.i' compreendo Outono em sua instabilidade. afinal, nao seria este o motivo de sua tristeza?
^^/~~ xau baibai
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